Memória e legado
Dr. Pedro Jorge dos Santos Pinto
Associação Cívica

Quem era o Pedro
Pedro Jorge dos Santos Pinto nasceu a 26-07-1968 e faleceu em 11-10-2004.
Entregou-se à profissão com intensidade e rigor. Como estudante, nunca se contentou só com a aprendizagem necessária para se formar como médico. Procurava sempre ir mais longe, compreender melhor, aprofundar. Durante a licenciatura foi monitor de Biologia Celular, onde também se dedicou à investigação, não por obrigação, mas por genuína curiosidade intelectual.
Na especialização, não se limitou à excelência do Hospital de São João. Fez um estágio na Califórnia, em San Diego, durante seis meses, para onde regressou já como médico especialista, ficando mais um ano, decidido a levar a sua prática e o seu conhecimento a novos patamares.
Participou várias vezes no congresso de referência mundial da Radiological Society of North America (RSNA), em Chicago, com trabalhos sucessivamente distinguidos com prémios, num tempo em que ainda não era prática comum submeter investigação portuguesa a eventos desta dimensão e importância. Nas palavras de alguns colegas, apesar da sua vida curta, terá sido uma das pessoas que mais contribuiu para o progresso da Radiologia em Portugal no seu tempo.
Mas o Pedro não era apenas isso — e talvez nem fosse sobretudo isso.
Discreto, de inteligência invulgar, tinha interesses variados e um olhar curioso sobre o mundo. Viajou muito, numa época em que viajar ainda não era banal, esteve em vários países em estágios e congressos, aprendia línguas com uma facilidade quase desconcertante. Gostava de música e era ouvinte fiel da Rádio Nova e da extinta XFM. Deixou uma discografia que continua surpreendentemente atual.
Sempre atento às novidades, foi dos primeiros a entusiasmar-se com a fotografia digital e com o iPod, que rapidamente encheu de música. Na fotografia, experimentava sem cessar e deixou imagens de uma beleza silenciosa e singular. Tinha um sentido estético muito próprio; a sua casa tinha uma das vistas mais deslumbrantes sobre o Porto, mas sobretudo tinha o seu olhar.
Era, no sentido mais profundo da palavra, um médico à maneira de Abel Salazar: alguém que sabia que «um médico que só sabe de medicina nem de medicina sabe». A sua cultura, curiosidade e sensibilidade faziam parte da sua prática clínica tanto quanto o conhecimento técnico.
E, no entanto, tudo isto diz pouco do essencial.
O Pedro era muito divertido. Tinha um sentido de humor fino, mordaz, inesperado, com uma enorme capacidade de rir de si próprio e dos outros. Nunca se levava demasiado a sério, o que tornava a sua inteligência ainda mais luminosa. Estar com ele era leve: havia riso, havia ironia, havia uma lucidez que desmontava solenidades e vaidades com uma frase curta, muitas vezes dita de lado, como quem não quer a coisa.
Era carinhoso à sua maneira discreta, transmitia tranquilidade, fazia-nos sentir mais leves só por estar. A sua presença tinha essa qualidade rara: não impunha, iluminava.
E havia ainda uma dimensão mais silenciosa e talvez a mais constante de todas: o amor profundo, a admiração e a dedicação absoluta à família, em particular à mãe. Uma presença diária (mesmo quando à distância), atenta, feita de cuidado, respeito e ternura, sem alarde, mas com uma fidelidade que dizia muito da sua forma de amar e de estar no mundo.
Falar do Pedro apenas como alguém brilhante é verdade — mas é pouco. Era brilhante, sim, mas sobretudo era leveza, humor, inteligência viva e uma forma única de estar no mundo que fazia tudo parecer mais respirável.
A Associação
Criámos e mantemos esta Associação para promover os valores que o Pedro, ao longo da sua vida, transmitiu de forma serena, mas indelével e intensa, marcando positivamente aqueles que tiveram a sorte de se cruzar com ele.